Inculturação e interculturalidade - Entrevista con la Hna. Rita Fernandes Barbosa, STJ

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08/08/2014

TESTIMONIOS - “Sou uma mulher, Irmã Teresiana, filha da diversidade de raças e culturas: indígena, negra, branca, como a maioria das/os brasileiras/os. Procedente do nordeste do Brasil, onde a Companhia está presente, com algumas Comunidades de Inserção, desde o ano de 1973. Como resposta à Conferência de Medellin, que buscou fazer uma leitura do Concílio Vaticano II, a partir e para a realidade da America Latina. Como fruto desta Conferência, a Igreja e a Vida Religiosa do Brasil, num contexto de ditadura militar, fez uma clara opção pela justiça e pelos pobres. Sou parte desse contexto e movimento. Entrei na Companhia em 1977 e fiz a formação inicial no sul do Brasil. Foi um verdadeiro êxodo!  A maior parte de meus anos de vida religiosa, eu vivi em Comunidades de Inserção entre os pobres, onde assumimos a missão desde a presença e diferentes atividades apostólicas.”

Como chegaste a Burkina Faso?

Como é de vosso conhecimento, as últimas fundações da Companhia foram feitas em realidades de periferias e em países pobres, como consequência da opção pelos pobres.  Ao fazer parte do Governo Geral e conhecer diferentes países e realidades da Companhia, o sentido de Missão e de Companhia se ampliou dentre de mim. Eu me senti tocada por estas realidades e me ofereci, por alguns anos, para Burkina Faso ou outra realidade pobre e com poucas Irmãs. À generosidade da minha Província e a proposta do Governo Geral para vir à Burkina Faso, eu acolhi como expressão do querer de Deus. Com temor e confiança, me senti confirmada e enviada.

O que mais  te impacta da realidade africana?

Eu havia visitado e conhecia um pouco de Burkina Faso. É um país com poucos recursos naturais e perto do deserto do Saara. Está entre os países mais pobres de África e do mundo. Esta realidade de extrema pobreza impacta muito. As pessoas com a sua cultura e dignidade, é a maior riqueza. É um povo alegre, com um profundo sentido de festa e celebração, acolhedor, enraizado na sua cultura, língua e tradição, e profundamente religioso. A grande maioria é muçulmana, uns 20% são cristãos, católicos e protestantes, e os outros da religião tradicional. Mas a convivência é pacífica e respeitosa. Também em nosso Colégio, a maioria dos alunos, é mulçumana.
Em meio a esta riqueza, que é fonte de vida e sentido, há fortes contradições que mantêm concepções e estruturas que não são geradoras de vida. A situação da mulher e das crianças, com a incisão das meninas em alguns contextos, mesmo sendo proibido por Lei, o casamento forçado e a poligamia. A mulher carrega o maior peso do trabalho, sustento e cuidado dos filhos, e da extrema pobreza, na sua grande maioria. O analfabetismo de mais de 70% da população, a maioria mulheres, e a falta de oportunidade para aspirar e construir um futuro melhor.  Como em outros contextos, a realidade não é estática, diferentes pessoas, organizações, igrejas, vão forjando uma nova consciência e mentalidade, dando pequenos passos para transformar esta realidade. Impacta-nos os limites, mas também as possibilidades e valores, que são muitos.

Desafios e dificuldades, alegrias e aprendizagens no teu processo de inculturação e interculturalidade...

Quanto à inculturação e interculturalidade, embora seja um conceito e reflexão mais atual, de nosso tempo, este sentido está presente no inicio da evangelização de Burkina Faso, há mais ou menos 115 anos, quando os Missionários de África ou Padres Brancos, começaram o processo de evangelização. Contam os historiadores, que eles chegaram aprenderam a língua local, que era somente oral, e fizeram os primeiros escritos. Tudo isto implica muita proximidade do povo, como também o conhecimento da cultura e costumes. Eles traduziram a Bíblia e outros conteúdos do catolicismo para a língua local, e preparavam catequistas com um longo tempo de formação e acompanhamento. E estes catequistas, foram e continuam sendo os principais evangelizadores do povo, desde o sentido de Igreja Família. Atualmente, as Dioceses contam com muitos sacerdotes e religiosos, catequistas e outras lideranças do próprio país. E quase a totalidade das celebrações, da catequese, encontros e outros meios de evangelização, são na língua local. Graças a este processo de evangelização, desde dentro da cultura, temos que continuar fazendo o nosso processo de inculturação, para viver desde o sentido e riqueza da interculturalidade. 

Como vives o teu quotidiano apesar destas dificuldades?

Dedico mais tempo para a leitura (em francês) e oração, desde a Palavra e da realidade; continuo estudando francês; acompanho horas de estudo e avaliação em algumas turmas do Colégio; ajudo na organização e atendimento na Biblioteca; participo da catequese ou catecumenato francofone; visito algumas famílias e pessoas doentes e anciãs (com uma pessoa que traduz para o moré); participo dos encontros com as vocacionadas, entre outros serviços no Colégio e na Comunidade. Tudo isto facilita a proximidade, a relação, a comunicação e conhecimento da realidade. Onde o mais importante é a presença, a acolhida e o como fazemos o pouco que é possível, neste momento.

Equipo Comunicación de la Compañía de Santa Teresa de Jesús
www.stjteresianas.org

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